Capítulo 2: Forest, river and danger
Finn me seguia,
quieto, atento aos meus passos. Eu não sabia exatamente para onde eu estava
indo, mas queria me afastar ao máximo da nave, do Bellamy e dos outros. Aquilo
tudo estava me deixando louca. Mas agora o meu foco principal é sobreviver o
máximo possível.
- Finn,
quero ir direto ao assunto: Minha família é muito miga do Chanceler Jaha e um
certo dia ele me disse estava recebendo mensagens de alguma instalação aqui na
Terra. Disse que poderia ter sobrevivido umas 100 pessoas desde de que nós
saímos, ele também falou que o sinal vinha de algum lugar dentro da floresta.
- Como você
conseguiu essa informação?
- Sou uma
pessoa muito confiável. Mas voltando ao assunto, quero que você me ajude a
achar o local de onde as transmissões vieram.
- De onde
vieram?
- Daquele
monte –digo apontando para uma montanha bem distante do nosso acampamento.
Devia dar quatro dias de viagem
- Quatro
dias de viagem, no mínimo
- Você pode
me levar até lá? – pergunto
- Claro, mas
a saída terá que ser adiada. Não temos comida o suficiente para levar.
- Entendo.
Bem, era isso que eu queria falar, obrigada por sua atenção.
- De nada –
diz ele
Voltamos
para o acampamento. O sol já estava se pondo e Thomas colocava lenha fogueira quando me viu entrando, ele se levantou
e aproximou-se de mim.
- Tenho uma
péssima notícia para você
- Desembucha
- Não
consegui fazer barracas o suficiente. Cada pessoa vai ter três companheiros.
- E por que
isso seria ruim?
- Eu, você,
Bellamy e Finn.
Balanço a
cabeça
- Por que
ele está dormindo na mesma barraca?
- É a
barraca dos líderes. Os sobreviventes falaram pra gente... bem, ficar juntos.
- Tudo bem –
digo caminhando e olhando para o chão – Vai ser uma noite infernal
Entro na
barraca e me sento na cama. Era apenas algumas toalhas e mantas espalhadas
formando um retângulo macio. Fecho os
olhos, tinha muita coisa para fazer amanhã, ia ser um dia difícil.
Deito-me na
cama, fecho os olhos e deixo-me ser levada pelo sono.
Acordo com
uma luz intensa diante dos meus olhos, fico cega por alguns segundos e depois
percebo que eu estava de volta na Arca, no meu antigo quarto, antes de ser
presa. Minha mãe dormia na cama de baixo, meus livros estavam espalhados no
chão e uma muda de roupa estava em cima da mesa.
Levanto-me,
pego a roupa e vou até o banheiro comunitário. Entro em uma das cabines e tomo
um ducha frio. Saio do chuveiro com cheiro de lavanda e com o cabelo
extremamente molhado. Volto para o dormitório, troco de roupa, penteio o
cabelos e calço as minhas botas.
- Bom dia,
filha – diz minha mãe
- Bom dia –
digo pegando meu material e jogando-o dentro da mochila.
- Para onde
você vai?
- Para a
biblioteca, estudar. Jaha disse que depois do almoço ele vai me levar para o
necrotério para eu...
- Dar uma
revisada nos corpos – diz minha mãe enjoada – Sabe, você podia encontrar um
namorado ao invés de abrir pessoas mortas.
- Mãe, eu
prometo que assim que eu conseguir meu lugar no Conselho como Médica Suprema eu
arranjo um namorado.
- Você vai
estar com 40 e poucos anos – reclama ela – Não vai ser bonita para sempre...
- Mãe...
- Ta bom,
vai ser feliz com seus corpos necrosados
- Tchau, mãe
- Até o
jantar, Myka.
Caminho
pelos corredores da Arca até chegar a biblioteca, a porta de vidro se abre no
momento em que eu pisa na plataforma. Selena, a bibliotecária de 37 anos me
recebo com um enorme sorriso no rosto.
- Bom dia,
Myka
- Bom dia,
Selena
Sento-me na
cadeira mais afastada e retiro os meus livros da mochila. Fico estudando até a
hora do almoço, quando o sinal tocou eu arrumei meu material de estudo dentro
da mochila o máximo que pode e corri para o refeitório.
Me servi com
uma sopa de ervilha e franco, duas fatias de pão, água e salada de alface e brócolis.
Almocei bem rápido e corri até a sala do Chanceler Jaha. Ele estava senado,
almoçando ao lado de um garoto.
- Perdoe-me,
Chanceler. Estou saindo
- Não se
preocupe Mykaella. Já estava terminando. Sente-se
Obedeço-o e
sento-me em um sofá marrom e macio. Olho para os meus sapatos até uma mão
quente tocar o meu ombro. Era Jaha.
- Vamos –
sorrio e sigo-o
Caminhos por
vários minutos, passamos por várias pessoas que eu nem sabia que existiam.
Minhas pernas começavam a lateja, não sabia que o necrotério era tão longe,
porém Jaha estava com um sorriso no rosto. Respiro fundo e continuo seguindo-o.
De repente
um alarme extremamente alto começa a soar. Jaha me olha preocupado. Kane
aparece e nos guia até um lugar seguro. Kane estava assustado. As luzes
piscavam num ritmo acelerado.
- O que está
acontecendo?
- Houve uma
explosão no setor de dormitórios leste. Entre os quartos 456 e 463
- Não...
Não! – digo
Estava
chorando, tonta, fraca. Minha mãe não a trabalhar hoje. Saio correndo,
tropeçando e batendo em pessoas desesperadas. Um homem forte me empurra e eu
caio no chão. Dezenas de pessoas pisam em mim, sinto minhas costelas quebrando,
assim como o meu fêmur esquerdo e meu rádio direito. Eu gritava e chorava,
conseguia ver os meus ossos para fora do corpo.
Meu corpo
latejava como se todo o peso da Arca caísse em cima de mim
Acordo sendo
sacudida, estava suada e minha garganta ardia. Sentia lágrimas caindo pelo meu
rosto. Uma mão quente e macia enxugava-as á medida que elas caiam. Era Thomas,
ele me cobre com um cobertor.
- Você
sonhou com o que?
- Não...não –
digo soluçando – Não quero falar sobre isso.
- Tudo bem.
Finn e
Bellamy ainda estavam dormindo. Thomas se levanta, mas eu agarro o pulso dele e
puxo-o para o chão. Ele sorri e se deita ao meu lado. Deito o meu rosto em seu
peito quente e olho para ele. Thomas beija a minha testa.
- Durma. Eu
vou te proteger – disse ele
- Obrigada, Thomas

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