sábado, 1 de fevereiro de 2020

Capítulo 2 - Fallen

Capítulo 2: Forest, river and danger

   

P.O.V Mykaella


Finn me seguia, quieto, atento aos meus passos. Eu não sabia exatamente para onde eu estava indo, mas queria me afastar ao máximo da nave, do Bellamy e dos outros. Aquilo tudo estava me deixando louca. Mas agora o meu foco principal é sobreviver o máximo possível.

- Finn, quero ir direto ao assunto: Minha família é muito miga do Chanceler Jaha e um certo dia ele me disse estava recebendo mensagens de alguma instalação aqui na Terra. Disse que poderia ter sobrevivido umas 100 pessoas desde de que nós saímos, ele também falou que o sinal vinha de algum lugar dentro da floresta.

- Como você conseguiu essa informação?

- Sou uma pessoa muito confiável. Mas voltando ao assunto, quero que você me ajude a achar o local de onde as transmissões vieram.

- De onde vieram?

- Daquele monte –digo apontando para uma montanha bem distante do nosso acampamento. Devia dar quatro dias de viagem

- Quatro dias de viagem, no mínimo

- Você pode me levar até lá? – pergunto

- Claro, mas a saída terá que ser adiada. Não temos comida o suficiente para levar.

- Entendo. Bem, era isso que eu queria falar, obrigada por sua atenção.

- De nada – diz ele

Voltamos para o acampamento. O sol já estava se pondo e Thomas colocava lenha  fogueira quando me viu entrando, ele se levantou e aproximou-se de mim.

- Tenho uma péssima notícia para você

- Desembucha

- Não consegui fazer barracas o suficiente. Cada pessoa vai ter três companheiros.

- E por que isso seria ruim?

- Eu, você, Bellamy e Finn.

Balanço a cabeça

- Por que ele está dormindo na mesma barraca?

- É a barraca dos líderes. Os sobreviventes falaram pra gente... bem, ficar juntos.

- Tudo bem – digo caminhando e olhando para o chão – Vai ser uma noite infernal

Entro na barraca e me sento na cama. Era apenas algumas toalhas e mantas espalhadas formando um retângulo macio.  Fecho os olhos, tinha muita coisa para fazer amanhã, ia ser um dia difícil.

Deito-me na cama, fecho os olhos e deixo-me ser levada pelo sono.

Acordo com uma luz intensa diante dos meus olhos, fico cega por alguns segundos e depois percebo que eu estava de volta na Arca, no meu antigo quarto, antes de ser presa. Minha mãe dormia na cama de baixo, meus livros estavam espalhados no chão e uma muda de roupa estava em cima da mesa.
Levanto-me, pego a roupa e vou até o banheiro comunitário. Entro em uma das cabines e tomo um ducha frio. Saio do chuveiro com cheiro de lavanda e com o cabelo extremamente molhado. Volto para o dormitório, troco de roupa, penteio o cabelos e calço as minhas botas.

- Bom dia, filha – diz minha mãe

- Bom dia – digo pegando meu material e jogando-o dentro da mochila.

- Para onde você vai?

- Para a biblioteca, estudar. Jaha disse que depois do almoço ele vai me levar para o necrotério para eu...

- Dar uma revisada nos corpos – diz minha mãe enjoada – Sabe, você podia encontrar um namorado ao invés de abrir pessoas mortas.

- Mãe, eu prometo que assim que eu conseguir meu lugar no Conselho como Médica Suprema eu arranjo um namorado.

- Você vai estar com 40 e poucos anos – reclama ela – Não vai ser bonita para sempre...

- Mãe...

- Ta bom, vai ser feliz com seus corpos necrosados

- Tchau, mãe

- Até o jantar, Myka.

Caminho pelos corredores da Arca até chegar a biblioteca, a porta de vidro se abre no momento em que eu pisa na plataforma. Selena, a bibliotecária de 37 anos me recebo com um enorme sorriso no rosto.

- Bom dia, Myka

- Bom dia, Selena

Sento-me na cadeira mais afastada e retiro os meus livros da mochila. Fico estudando até a hora do almoço, quando o sinal tocou eu arrumei meu material de estudo dentro da mochila o máximo que pode e corri para o refeitório.

Me servi com uma sopa de ervilha e franco, duas fatias de pão, água e salada de alface e brócolis. Almocei bem rápido e corri até a sala do Chanceler Jaha. Ele estava senado, almoçando ao lado de um garoto.

- Perdoe-me, Chanceler. Estou saindo

- Não se preocupe Mykaella. Já estava terminando. Sente-se

Obedeço-o e sento-me em um sofá marrom e macio. Olho para os meus sapatos até uma mão quente tocar o meu ombro. Era Jaha.

- Vamos – sorrio e sigo-o

Caminhos por vários minutos, passamos por várias pessoas que eu nem sabia que existiam. Minhas pernas começavam a lateja, não sabia que o necrotério era tão longe, porém Jaha estava com um sorriso no rosto. Respiro fundo e continuo seguindo-o.

De repente um alarme extremamente alto começa a soar. Jaha me olha preocupado. Kane aparece e nos guia até um lugar seguro. Kane estava assustado. As luzes piscavam num ritmo acelerado.

- O que está acontecendo?

- Houve uma explosão no setor de dormitórios leste. Entre os quartos 456 e 463

- Não... Não! – digo

Estava chorando, tonta, fraca. Minha mãe não a trabalhar hoje. Saio correndo, tropeçando e batendo em pessoas desesperadas. Um homem forte me empurra e eu caio no chão. Dezenas de pessoas pisam em mim, sinto minhas costelas quebrando, assim como o meu fêmur esquerdo e meu rádio direito. Eu gritava e chorava, conseguia ver os meus ossos para fora do corpo.

Meu corpo latejava como se todo o peso da Arca caísse em cima de mim

Acordo sendo sacudida, estava suada e minha garganta ardia. Sentia lágrimas caindo pelo meu rosto. Uma mão quente e macia enxugava-as á medida que elas caiam. Era Thomas, ele me cobre com um cobertor.

- Você sonhou com o que?

- Não...não – digo soluçando – Não quero falar sobre isso.

- Tudo bem.

Finn e Bellamy ainda estavam dormindo. Thomas se levanta, mas eu agarro o pulso dele e puxo-o para o chão. Ele sorri e se deita ao meu lado. Deito o meu rosto em seu peito quente e olho para ele. Thomas beija a minha testa.


- Durma. Eu vou te proteger – disse ele

- Obrigada, Thomas

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Capítulo 5 - Fallen

Capítulo 5 Minha cabeça latejava, meu corpo estava quente e minhas pálpebras, pesadas. Tento me levantar, mas tudo estava dolorido. T...