sábado, 1 de fevereiro de 2020

Capítulo 3 - Fallen

Trouble



Durmo aconchegada ao corpo quente de Thomas, sua respiração batia em minha testa e suas mãos me abraçavam. Ele ainda estava dormindo quando eu acordei, não queria acorda-lo então continuei deitada. Percebo que o sol ainda não tinha nascido e a lua ainda brilhava.

Suspiro e Thomas se mexe

- Bom dia – diz ele

- Bom dia

Um grito soa rouco e assustado. Levanto-me num sobressalto e sai da barraca. Uma garota gritava e apontava para uma sombra. Corro até ela e pergunto o que estava acontecendo.

- Ele está babulciando coisas estranhas e quando eu fui falar com ele...

- Ele não respondeu?

- Exato

Várias outras pessoas saíram das barracas, com sono e um pouco assustadas.

- Vocês podem voltar a dormir, esse cara é sonâmbulo, está tudo sobre controle agora –digo

Aproximo-me dele e tento guia-lo até a sua barraca, evitando ao máximo toca-lo. Depois disso eu volto para a barraca. Bellamy estava acordado, Finn estava se trocando, assim como Thomas, ambos estava apenas de calça, assim como Bellamy. Sinto minha pele aquecendo.

- Perdoe-me – digo fechando os olhos

- Não precisa ficar envergonhada, não estamos nus – diz Thomas

- Trouxe isso para você – diz Finn me entregando uma blusa larga preta

- Obrigada

Todos eles saem da barraca. Fico sozinha, sento-me na cama e passo as mãos pelo cabelo, prendo-o em um rabo de cavalo. Visto-me com a blusa que foi me dada  e saio. Caminho entre os sobreviventes, eles pareciam felizes, mas mal sabiam eles os segredos obscuros que a Terra guarda.
Lembro-me do dia em que eu estava no escritório de Jaha, ele me mostrou uma fita, um áudio proveniente da Terra, nele dizia: ´´ Muitas pessoas ficaram expostas á radiação, causando mutação em seu corpo. Os que sobreviveram e tornaram-se aptos a sobreviver nós chamamos de vetores. Eles são rápidos e um tanto inteligentes. Aqueles que sobreviveram á radiação, agora lutam mais uma vez pela sobrevivência....´´. Nesse momento o áudio falhou, pois havia sido corrompido. Jaha estava preocupado com a reação dos demais se descobrissem a existências de seres transformados em monstros na Terra, isso causaria um pânico geral. O Chanceler confiou a mim essa mensagem e eu jurei que jamais contaria para alguém isso.

Sou despertada de meu devaneio por um empurrão. Cambaleio para trás e quando estava prestes a cair, um braço me envolve pela cintura. O menino me ajudar a ficar de pé e com um sorriso culpado me olha.

- Você está bem?

- Sim, não foi nada demais. Perdoe-me, estava distraída.

- Meu nome é Jasper

- Mykae...

- Mykaella, nossa líder – diz ele – Finn pediu para encontra-la, estamos de saída. Ele disse que você ia conosco para... bem, não sei ao certo

- Procurar plantas medicinais. Não temos remédios suficientes para mais de duas semanas.

- Certo. Venha, siga-me.

Sigo-o por alguns metros e encontro Finn com mais três pessoas. Dois meninos e uma garota.

- Oi, Mykaella. Se lembra de mim. Estava do eu seu lado na nave.

- Olá, Octavia. Por favor, chame-me de Myka.

- Monty e Jonh, respectivamente – Diz Jasper apontando para os outros dois meninos.

- Prazer em conhecê-los

- Bem, vamos andando, temos que voltar antes do pôr do sol.

Finn andava na frente, acompanhado de Jonh. Monty e Jasper andavam logo atrás. Eu e Octavia estávamos por ultimo. Ela falava sobre o irmão, o quanto que ele ela intrometido e irritante, também dizia o que eles aprontavam quando eram crianças, eu ria de todas as histórias.

- Foi o seu irmão que colocou terra na calça do Kane?

- Foi ele mesmo, mas foi eu quem deu a ideia.

- Vocês são loucos!

- Sei disso, sei disso. A filha da mãe é linda!

- Oi?

- A Terra. Costumo me referir a Terra como filha da mãe...

Nós duas rimos.

- Finn, pare.

- O que você achou?

- Aloe. É anti-inflamatória e desinfetante, comumente utilizada para feridas e queimaduras.

Retiro alguns caules e guardo-os na mochila.

- Você tem tudo isso decorado? Tipo o que cada planta é e como ela é? – pergunta Jonh

- Sim, tudo gravado na minha cabeça.

A cada dez metros eu parava, era tão fascinante. Em um período tão curto de tempo eu encontrei plantas que eu achei que nunca encontraria.

- O que é? – pergunta Finn

- Alfazema, Barbatimão e Tanásia. Servem para desinfetar os ferimentos leves, tem ação antisséptica, cicatrizante, antibacteriana e antifúngica e é uma planta com efeito vermicida, indicada principalmente em casos de verminoses intestinais, respectivamente.

- Nossa!

- Olha! – digo encontrando o que eu realmente queria – Erva-preta... é uma planta com um efeito anti-inflamatório e analgésico. Ela é muito útil!

- Pessoal, tem um lago, venham! – diz Jasper.

Todos correram atrás do lago, menos eu. Fiquei sentada contemplando a natureza que me cercava. O ar fresco e puro que nenhum gênio na Arca conseguiria imitar. A grama que pinicava minhas mãos me faziam me sentir em casa. Era bom estar lá, por mais eu seja perigoso.

- Você não vem?

- O que? Ah, não... Não gosto muito de água.

- Mas é perigoso ficar aqui, sozinha – diz Finn

- Eu consigo me virar. Estou bem, vá se divertir.

- Certeza?

- Absoluta – digo.

Tiro a mochila das costas e me deito no chão. Olho para o céu azul e as folhas verdes das copas das arvores. A brisa batia em meus cabelos, fazendo-os se espalharem pelo chão. Eu conseguia ouvir os gritos de alegria de Finn, Monty, Octavia, Jasper e Jonh. Fecho os olhos.

- Myka, você está bem? – diz Monty

- Sim, estava cochilando.

- Você precisa ver isso. É Octavia, ela se machucou

- Como? Onde?

- No lago. Ela ficou presa na correnteza e aranhou a perna numa pedra.

Sigo Monty até o lago. Octavia estava deitada, inconsciente. No momento em que eu me ajoelho ao lado dela, ela acorda, assustada. Estava pálida, suava frio e tremia. Olho para o ferimento. Era largo e longo. Sangrava muito.

- Nível de dor: 0 á 10 - digo

- Sete.

- Está com frio?

- Sim

Tiro o meu casaco e cubro-o. Tiro um pedaço da minha blusa e faço pressão contra o ferimento. Octavia começa a se contorcer, gritar e chorar.

- Sua vaca! Isso dói!

- Segurem-na!

- Alguém pega um cantil de água e enche com a água do rio! Por favor!

Monty se levanta e corre até a parte corrente do rio e enche a garrafa. Ele me entrega. Aperto bem forte a garrafa, fazendo jorrar um jato forte contar a perna da garota. Outro grito, maia agudo e potente.

- Finn me passa a sua mochila, rápido!

Pego a mochila e elevo a perna de Octavia.

- Jasper, pressione o pano contra a ferida, agora!

Pego o barbatimão na minha mochila e misturo com aloe. Faço um creme e passo um pouco no ferimento e o restante em um pano limpo. Faço um curativo rápido e volto minha atenção para Octavia. Ela estava em choque.


- Temos que leva-la para o acampamento - digo

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