Trouble

Durmo
aconchegada ao corpo quente de Thomas, sua respiração batia em minha testa e
suas mãos me abraçavam. Ele ainda estava dormindo quando eu acordei, não queria
acorda-lo então continuei deitada. Percebo que o sol ainda não tinha nascido e
a lua ainda brilhava.
Suspiro e
Thomas se mexe
- Bom dia –
diz ele
- Bom dia
Um grito soa
rouco e assustado. Levanto-me num sobressalto e sai da barraca. Uma garota
gritava e apontava para uma sombra. Corro até ela e pergunto o que estava
acontecendo.
- Ele está
babulciando coisas estranhas e quando eu fui falar com ele...
- Ele não
respondeu?
- Exato
Várias
outras pessoas saíram das barracas, com sono e um pouco assustadas.
- Vocês
podem voltar a dormir, esse cara é sonâmbulo, está tudo sobre controle agora –digo
Aproximo-me
dele e tento guia-lo até a sua barraca, evitando ao máximo toca-lo. Depois
disso eu volto para a barraca. Bellamy estava acordado, Finn estava se
trocando, assim como Thomas, ambos estava apenas de calça, assim como Bellamy.
Sinto minha pele aquecendo.
- Perdoe-me
– digo fechando os olhos
- Não
precisa ficar envergonhada, não estamos nus – diz Thomas
- Trouxe
isso para você – diz Finn me entregando uma blusa larga preta
- Obrigada
Todos eles
saem da barraca. Fico sozinha, sento-me na cama e passo as mãos pelo cabelo,
prendo-o em um rabo de cavalo. Visto-me com a blusa que foi me dada e saio. Caminho entre os sobreviventes, eles
pareciam felizes, mas mal sabiam eles os segredos obscuros que a Terra guarda.
Lembro-me do
dia em que eu estava no escritório de Jaha, ele me mostrou uma fita, um áudio proveniente
da Terra, nele dizia: ´´ Muitas pessoas ficaram expostas á radiação, causando
mutação em seu corpo. Os que sobreviveram e tornaram-se aptos a sobreviver nós
chamamos de vetores. Eles são rápidos e um tanto inteligentes. Aqueles que
sobreviveram á radiação, agora lutam mais uma vez pela sobrevivência....´´.
Nesse momento o áudio falhou, pois havia sido corrompido. Jaha estava
preocupado com a reação dos demais se descobrissem a existências de seres
transformados em monstros na Terra, isso causaria um pânico geral. O Chanceler
confiou a mim essa mensagem e eu jurei que jamais contaria para alguém isso.
Sou
despertada de meu devaneio por um empurrão. Cambaleio para trás e quando estava
prestes a cair, um braço me envolve pela cintura. O menino me ajudar a ficar de
pé e com um sorriso culpado me olha.
- Você está
bem?
- Sim, não
foi nada demais. Perdoe-me, estava distraída.
- Meu nome é
Jasper
- Mykae...
- Mykaella,
nossa líder – diz ele – Finn pediu para encontra-la, estamos de saída. Ele
disse que você ia conosco para... bem, não sei ao certo
- Procurar
plantas medicinais. Não temos remédios suficientes para mais de duas semanas.
- Certo.
Venha, siga-me.
Sigo-o por
alguns metros e encontro Finn com mais três pessoas. Dois meninos e uma garota.
- Oi,
Mykaella. Se lembra de mim. Estava do eu seu lado na nave.
- Olá,
Octavia. Por favor, chame-me de Myka.
- Monty e
Jonh, respectivamente – Diz Jasper apontando para os outros dois meninos.
- Prazer em conhecê-los
- Bem, vamos
andando, temos que voltar antes do pôr do sol.
Finn andava
na frente, acompanhado de Jonh. Monty e Jasper andavam logo atrás. Eu e Octavia
estávamos por ultimo. Ela falava sobre o irmão, o quanto que ele ela
intrometido e irritante, também dizia o que eles aprontavam quando eram
crianças, eu ria de todas as histórias.
- Foi o seu
irmão que colocou terra na calça do Kane?
- Foi ele
mesmo, mas foi eu quem deu a ideia.
- Vocês são
loucos!
- Sei disso,
sei disso. A filha da mãe é linda!
- Oi?
- A Terra.
Costumo me referir a Terra como filha da mãe...
Nós duas
rimos.
- Finn,
pare.
- O que você
achou?
- Aloe. É anti-inflamatória e desinfetante, comumente utilizada para feridas e
queimaduras.
Retiro alguns caules e guardo-os na
mochila.
- Você tem tudo isso decorado? Tipo o que
cada planta é e como ela é? – pergunta Jonh
- Sim, tudo gravado na minha cabeça.
A cada dez metros eu parava, era tão
fascinante. Em um período tão curto de tempo eu encontrei plantas que eu achei
que nunca encontraria.
- O que é? – pergunta Finn
- Alfazema, Barbatimão e Tanásia. Servem para desinfetar os ferimentos leves, tem ação
antisséptica, cicatrizante, antibacteriana e antifúngica e é uma planta com
efeito vermicida, indicada principalmente em casos de verminoses intestinais,
respectivamente.
- Nossa!
- Olha! – digo encontrando o que eu
realmente queria – Erva-preta... é uma planta com um efeito anti-inflamatório e
analgésico. Ela é muito útil!
- Pessoal, tem um lago, venham! – diz Jasper.
Todos correram atrás do lago, menos eu.
Fiquei sentada contemplando a natureza que me cercava. O ar fresco e puro que
nenhum gênio na Arca conseguiria imitar. A grama que pinicava minhas mãos me
faziam me sentir em casa. Era bom estar lá, por mais eu seja perigoso.
- Você não vem?
- O que? Ah, não... Não gosto muito de
água.
- Mas é perigoso ficar aqui, sozinha – diz Finn
- Eu consigo me virar. Estou bem, vá se
divertir.
- Certeza?
- Absoluta – digo.
Tiro a mochila das costas e me deito no
chão. Olho para o céu azul e as folhas verdes das copas das arvores. A brisa
batia em meus cabelos, fazendo-os se espalharem pelo chão. Eu conseguia ouvir
os gritos de alegria de Finn, Monty, Octavia, Jasper e Jonh. Fecho os olhos.
- Myka, você está bem? – diz Monty
- Sim, estava cochilando.
- Você precisa ver isso. É Octavia, ela se
machucou
- Como? Onde?
- No lago. Ela ficou presa na correnteza e
aranhou a perna numa pedra.
Sigo Monty até o lago. Octavia estava deitada,
inconsciente. No momento em que eu me ajoelho ao lado dela, ela acorda,
assustada. Estava pálida, suava frio e tremia. Olho para o ferimento. Era largo
e longo. Sangrava muito.
- Nível de dor: 0 á 10 - digo
- Sete.
- Está com frio?
- Sim
Tiro o meu casaco e cubro-o. Tiro um pedaço
da minha blusa e faço pressão contra o ferimento. Octavia começa a se contorcer, gritar e chorar.
- Sua vaca! Isso dói!
- Segurem-na!
- Alguém pega um cantil de água e enche com
a água do rio! Por favor!
Monty se levanta e corre até a parte
corrente do rio e enche a garrafa. Ele me entrega. Aperto bem forte a garrafa,
fazendo jorrar um jato forte contar a perna da garota. Outro grito, maia agudo
e potente.
- Finn me passa a sua mochila, rápido!
Pego a mochila e elevo a perna de Octavia.
- Jasper, pressione o pano contra a ferida,
agora!
Pego o barbatimão na minha mochila e misturo
com aloe. Faço um creme e passo um pouco no ferimento e o restante em um pano
limpo. Faço um curativo rápido e volto minha atenção para Octavia. Ela estava
em choque.
- Temos que leva-la para o acampamento -
digo
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