sábado, 1 de fevereiro de 2020

Capítulo 4 - Fallen

Capítulo 4 - Hi, Family?


- O que aconteceu? De quem é esse sangue? – pergunta Thomas

- Octavia... Ela foi nadar e... – digo – Levem-na para nave, deixem a perna dela erguida, não mexam na ferida

- O que você fez com a minha irmã?! – grita Bellamy

- Não foi eu! Ela que entrou no maldito lago! – digo – Eu tenho que ir – Bellamy segura o meu braço

- Se ela morrer eu te mato!

- Se você não me soltar ela morre, entendeu?

Bellamy bufa e me solta. Entro correndo na nave. Octavia gritava e xingava os outros.

- Octavia, aquiete-se!

- Não me mande calar a boca, vadia!

Respiro fundo e vou trabalhar na perna dela.


Depois de duas horas eu já havia estabilizado Octavia. Ela dormia tranquilamente quando seu irmão entrou furioso na nave.

- Ela teve uma hemorragia externa, perdeu muito sangue mas vai sobreviver.

- Ela está pálida!

- Qual parte do ´´ perdeu muito sangue ´´ você não entendeu?

- Ela poderia não ter perdido...

- Eu fiz o que eu pude, OK?

Saio correndo da nave e vou para a floresta. Encosto-me em um tronco e fecho os olhos.

- Eu salvo a vida da irmã dele e é assim que ele me trata.

Respiro fundo e me sento no chão. Apoio minha testa nos joelhos, minha cabeça latejava, assim como o restante do meu corpo. Estava toda dolorida. Olho para as minhas mãos, estavam repletas de sangue, olha para as minhas roupas, rasgadas e ensanguentadas.

Penso em como era a minha vida na Arca, antes de ser presa. Jaha confiava em mim, meus pais se orgulhavam, o Conselho achava que logo eu iria assumir uma cadeira. Era tudo tão bom. Cinco dias da semana eu passava indo ás aulas de medicina ou nas aulas de biologia. Nos finais de semana eu passava na biblioteca ou no necrotério.

Minhas refeições eram sempre gostosas, não era parecido com o mingau insosso da cadeia. Meus pais costumavam ser assessores dos Conselheiros, por isso morávamos em uma sala ampla com duas portas, uma para o quarto dividido e outra para o banheiro, respectivamente. Tinha uma mesa de vidro redonda no centro e dois sofás nas laterais, e um pequeno escritório ao lado da entrada.
Mas tudo isso mudou quando eu infringe a lei. Meus pais foram morar nos Alojamentos. Eles tinham um cubículo com uma beliche incrustada na parede, uma mesa quadrada pequena de cimento no centro e duas cadeiras de metal. Agora eles iam para o banheiro comunitário e o refeitório.

Sinto uma pancada na cabeça, minha visão fica turva e desabo no chão. Minha cabeça latejava. Mal conseguia enxergar, tudo começa a rodar e então a escuridão.

Abro os olhos. Estava em um quarto azul com várias janelas. Na mesa ao lado da cama havia um bilhete e na cama havia um vestido parecido com os vestidos das rainhas egípcias, era bege com faixas douradas. Pego o bilhete e leio-o:´´ Encontre-me no jardim, o mundo e eu precisamos de você´´

Isso devia ser um sonho. Vou para o banheiro e tomo um banho, visto-me com uma calça azul escura, uma blusa branca e uma jaqueta cinza, saio do quarto  e caminho pelo corredor, desço as escadas rapidamente. Paro na cozinha e calço uma bota qualquer. Saio da casa e corro até a floresta mais próxima.

Uma luz forte me cega por alguns dolorosos instantes, fecho os olhos e balanço a cabeça. Ouço passos vindo na minha direção, vozes masculinas e femininas ecoavam no ambiente. Abro os olhos, lentamente a luminosidade se ajusta.

Um homem se aproxima de mim, ele parecia um pouco mais velho e mais alto do que Bellamy, seu rosto era fino, esbelto, seus ombros, largos. Ele era bonito e sorria para mim. O homem fez um gesto para um dos rapazes que estavam dentro da sala e então sinto uma coisa fria se aproximando dos meus punhos e tornozelos. Dentro de poucos segundos eu já podia mexe-los.

- Venha

- Quem é você? – pergunto com a voz rouca

- Um amigo seu

Ele me segura pelas mãos e me guia para fora daquela sala fria e luminosa. Caminhamos por alguns corredores e em poucos minutos nós já estávamos de volta na mata. Estava anoitecendo, pergunto-me se os sobreviventes notaram a minha falta. Provavelmente não, Bellamy estava lá, assim como Finn e Thomas.

- Bem vinda, Mykaela – diz ele

- Como você sabe o meu nome?

- Como eu disse, sou um amigo seu...

- Mas eu não ti conheço – falo tentando me afastar dele

- Querida, você era da Terra, mas assim que Jaha assumiu o poder ele enviou uma nave para a Terra, lá havia várias máquinas que determinava a porcentagem que seu cérebro usa. Todos passaram por ela, e você, Mykaela foi a única que atingiu a porcentagem máxima, o resto mal passou de 10%.

- Mas como Jaha sabia que vocês existiam?

- É um segredo passado de chanceler para chanceler.

- Mas isso é impossível...

- Mykaela, pense, ninguém consegue armazenar o tanto de conhecimento que você consegue, por isso você tem quase tudo de cor, sua memória é perfeita...

- Mas como é que eu não me lembro de ter nascido na Terra?

- Jaha teve que apagar sua memória, seria um problema se você lembrasse daqui – responde ele

- Então significa que meus pais...meus verdadeiros pais estão aqui?

- Estão, mas não vivos. Perdoe-me, Mykaela, mas eles morreram.

- Como? Quando?

- Provavelmente você ouviu a gravação falando sobre a mutação

- Sim – digo, quase sem voz

- Então, logo após seu nascimento, seu pai foi em uma missão até Salt Lake, quase três semanas de viagem daqui até lá, e ficou exposto a radiação e veio a falecer. Sua mãe morreu devido a uma guerra contra uma tribo rival, você tinha cinco anos. No ano seguinte, você foi para a Arca.

- É por isso que eu só me lembro da minha vida quando eu tinha sete anos...

- Mas agora é tempo de festejar, você está de volta, crescida e forte. Agora, me conte, como você veio para cá?

- Fui presa e Jaha decidiu que os presidiários eram a ultima esperança da humanidade, mas, como posso ver, não somos.

- O que você que dizer?

- A humanidade nunca precisou ser salva, a Terra é habitável...

- Mikaela, perdemos contato com a Arca logo após a sua ida, Jaha achou que nós estávamos mortos.

- Quem é você? – digo, cambaleando para trás, confusa e com a visão turva.

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