sábado, 1 de fevereiro de 2020

Capítulo 5 - Fallen

Capítulo 5

Minha cabeça latejava, meu corpo estava quente e minhas pálpebras, pesadas. Tento me levantar, mas tudo estava dolorido. Tento me lembrar do que tinha acontecido, lembro-me de tudo. Abro os olhos e vejo aquele homem de antes, ele estava sentado em uma cadeira de madeira, olhava para mim, preocupado.
- Você está melhor?
- Acho que sim. O que aconteceu?
- Você desmaiou e rolou ladeira abaixo
- Bem, isso explica a enxaqueca e o corpo dolorido – digo – Tenho que voltar para o meu acampamento
- Não! Você tem que ficar com o seu povo
- Eles precisam de mim, sou a única médica lá.
- Por favor, fique com a gente.
- Diga-me o seu nome – falo
- Fique conosco, essa é a sua casa...
- Seu nome
- Sebastian.
- Sebastian, eu preciso ir – digo
- Então vá, mas não conte á ninguém sobre nós, sobre sua história.
- Certo
- Toda noite eu vou visita-la, estarei detrás da nave, logo após a meia noite.
- Tudo bem. Agora me diga: Como eu volto para o acampamento?
- Eu ti levo. Venha.
Ele me envolve em seus braços e me guia para fora da cabana. Ele segurava a minha mão enquanto nos caminhávamos pela floresta densa. Demos várias e várias voltas, passamos por arvores  altas, vermelhas e fedorentas. Sebastian me disse que elas eram venenosas.
Já era noite quando eu cheguei no acampamento. Um muro de latão já haviam sido erguido ao redor do acampamento. Me assusto no momento em que vejo guardas nas portas do muro. Viro-me para Sebastian e ele sorri.
- Você passou quase um dia desmaiada depois que a sequestramos. Depois, você passou dois dias apagada.
- Ou seja, passei quase quatro dias fora?
- Basicamente.
- Até mais, Sebastian – digo me afastando dele.
Sebastian me puxa pelo braço, encosta seu corpo no meu e aproxima sua boca da minha. Nossa respiração se entrelaçava, nossos batimentos cardíacos desaceleravam. Eu não me sentia pressionada, sentia que o conhecia. Eu o conhecia, na verdade, só não me lembrava.
- Vou fazer você se lembrar de mim, Mykaela – diz ele e adentra a floresta, correndo.
Balanço a cabeça e vou até o portão. Minhas pernas doíam por causa da queda assim como a minha cabeça. Dois garotos gritam o meu nome enquanto correm até mim, assustados e felizes ao mesmo tempo. John me pega no colo e me leva até a minha barraca.
- Myka, você está bem? – pergunta Thomas
- Onde você estava?
- Finn, Thomas, logo responderei suas perguntas, mas agora eu preciso descansar...
- Ah, ok. Descanse – diz Finn saindo da barraca
- Fiquei preocupado – diz Thomas se sentando ao meu lado na cama.
Sento-me e abraço-o. Eu realmente gostava de Thomas, desde de que chegamos ele sempre esteve por perto, cuidando de mim. Eu sempre ficava um pouco mais feliz quando ficava perto dele. Ele me trazia calma, algo que ninguém aqui na Terra conseguia me proporcionar.
- Você está horrível. O que aconteceu?
- No dia em que Octavia se machucou eu saí do acampamento e fui dormir na floresta. Sem querer eu rolei o barranco e fui para Deus-sabe-onde. Fiquei dois dias apagada, acho...
- Você passou quase quatro dias fora...
- Nossa... Alguém ficou doente nesse tempo?
- Não.
- E a Octavia? Está melhor?
- Forte como um cavalo – ele sorri
- Ótimo – digo fechando os olhos.
Sinto as mãos quentes de Thomas passando pela minha cintura e me deitando na cama. Seu corpo se deitando ao meu lado e acariciando o meu rosto. Sua respiração batia em minha testa e brincava com os meus cabelos. Seu mão fazia carícias em meu braço. Durmo sendo embalada por uma canção que não conheço.

Acordo com um apertão no braço. Era Thomas.
- Bom dia, Myka – sorrio e me sento na cama
- Bom dia.
- Sinto em lhe informa, mas o Bellamy quer fazer um interrogatório com você.
- Prevejo uma dor de cabeça
- Vamos, antes que ele entre aqui e ti erraste pelos cabelos.
Levanto e prendo o meu cabelo em um rabo de cavalo. Visto a minha jaqueta e saio a passos lerdos e doloridos. Thomas segurava minha cintura e me ajudava a andar. Bellamy estava parado na frente da nave, de braços cruzados.
- Onde você estava?
- Depois que você brigou comigo por salvar a vida da sua irmã eu saí do acampamento e caminhei o mais longe possível. Sentei perto de um penhasco e acabei pegando no sono. A última coisa de que me lembro é de estar rolando entre folhas secas, terra e galhos.
- Então você passou três dias apagadas? – perguntou Bellamy
- Não. Passei dois dias vagando pela floresta, procurando o acampamento e...
Minha visão fica turva e eu cambaleio para trás. Thomas me segura e eu fecho os olhos. Minha cabeça girava.
- Bellamy, está bom por hoje. Ela está cansada – diz Thomas
- Bellamy, alguém ficou doente enquanto eu estava fora?
- Myka, eu já ti respondi isso, lembra?
- É mesmo – digo sorrindo e desmaiando

Abro os olhos e vejo Jaha ao meu lado. Um bipe irritante tocava se cessar. Olho ao redor, eu estava na ala médica da Arca. Chanceler estava na cama, com vários canos conectados ao seu corpo e com uma aparência fantasmagórica.
- Lembre-se. Proteja os 100.
- Jaha, você que devia protegê-los
- Eu não consigo, não mais. A Arca vai vir a falência logo, vocês são a ultima esperança
- Jaha, por favor!
- Tudo que você precisa está dentro da sua cabeça e dentro do seu coração.
- Chanceler...
- Mykaela, você precisa entender: os 100 são a humanidade agora.
- Jaha, o oxigênio durará dois meses, talvez menos, mas até lá nós iremos ver se a Terra é habitável, e todos poderão descer.

Jaha tenta dizer alguma coisa mas seu coração para junto com os bipes. Três médicos entram no quarto, gritando e xingando. Lágrimas caiam desesperadamente pelo meu rosto. Um frio percorre a minha, minha visão fica embaçada, minhas pernas amolecem e eu caio no chão.

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